28.10.10

7

 

Passei pelo Ruben e pelo David mas nem me despedi, depois lá inventaria uma desculpa para tal sucedido. Saí do restaurante e a primeira coisa que os meus olhos procuraram foi por um táxi para me levar ao meu destino mas antes que isso acontecesse, senti um braço puxar o meu ainda que delicadamente obrigando-me a virar-me para trás.
- Puedes fichar lá en casa. – e lá estava ele outra vez com aquele sorriso maravilhoso, como é que eu poderia dizer que não.
-Pero yo no quiero dar-te trabajo Aimar, yo posso buscar un hotel para fichar.
-No! Vienes para mi casa, así no tienes que gastar dinero y… yo no tengo que pasar más una noche solo.
A ultima coisa que eu queria era deixa-lo sozinho. Eu sabia bem o quanto custava ficar-mos sozinhos, se eu não tivesse cá a Sara também me sentiria assim. E lá cedi… Afinal aquela vista maravilhosa sobre Lisboa chamava por mim.

Segui-o até ao carro dele e seguimos viagem, uma viagem que eu já sabia de cór…
Já não precisava de o seguir, eu já sabia por onde tinha de ir… Entramos em casa e a primeira coisa que eu fiz foi dirigir-me a varanda para apreciar aquela maravilhosa vista… Mas fui obrigada a voltar para dentro porque estava frio e eu não queria ficar doente.
E ele já tinha feito duas chávenas de chocolate quentinho... O seu corpo permanecia sentado no sofá, a ver televisão, as suas mãos envolviam a chávena e a outra permanecia à minha espera em cima da mesa da sala.
-Puedes me emprestar una de tuas camisetas para dormir por favor. – pedi.
-Claro, puedes ir al quarto escolher.
Fui ao quarto, escolhi uma t-shirt preta que me ficava ligeiramente abaixo do rabo… E voltei para a sala. Fui fechar a janela que tinha deixado aberta, sentei-me ao seu lado e deixei-me ficar ali… No silêncio, ao seu lado…
Estava cansada, e confusa e sem saber o que fazer daí em diante… Encostei a minha cabeça ao seu ombro e deixei-me dormir…
Lembro-me de ter dormido ainda um bom bocado, mas acordei nos seus braços que me levavam para o quarto. Envolvi os meus braços no seu pescoço e deixei-me levar…
Ele deitou-me na cama e cobriu-me… Deu-me um leve beijo na testa e fez o seu caminho de volta…
-Pablo… - chamei-o e vi-o voltar-se para mim. Era a primeira vez que eu o tratava pelo nome próprio,  não sei bem porque, mas apeteceu-me.
-Fica aqui comigo por favor. – pedi-lhe ainda que com os olhos meios fechados…
Ele encostou a porta, apagou a luz do quarto deixando apenas acesa a do candeeiro que ficava por trás de mim. Puxou novamente os cobertores e deitou-se ao meu lado virado para mim.
Os nossos corpos ficaram bastante próximos e eu esqueci a confusão toda que ia na minha cabeça e por momentos deixei-me levar e fiz o que eu queria…
A minha mão subiu o seu peito ainda que coberto pela camisa, passou pelo seu pescoço e parou nos seus cabelos, nos quais entrelacei os meus dedos e comecei a fazer pequenas festinhas… Senti o seu braço à volta da minha cintura, enterrei o meu rosto no seu peito, senti os seus dedos fazerem pequenos círculos nas minhas costas… E isso de certa forma acalmou-me… E por fim adormeci aninhada no seu corpo quente.

(…)
Acordei e ainda sem abrir os olhos tentei mover-me na cama, mas tinha um peso sobre a minha cintura que me impedia… Abri os olhos e vi o seu corpo quente deitado ao meu lado… Dormia que nem um anjo… Tão calmo, tão sereno… Completamente despenteado, mas isso era mesmo culpa minha e da minha mania dos cafonés. Olhei-o fixamente tudo em si era maravilhoso. O formato delicioso dos seus lábios, o cheiro do seu corpo, a barba de á dois dias… O meu olhar fixou-se nos seus lábios… Sim eu tinha uma enorme vontade de o beijar…. Mas não o ia fazer. Precisava de pensar em tudo isto. Será que eu me estava mesmo a apaixonar? Ou será que não passava de uma atracão! Ou uma patetice minha? Mas ele era pai, e casado! Quer dizer, divorciado! Já parecia a Sara… Eu nunca fui pessoa de ligar a essas coisas não ia ligar agora. Mas… Desviei subitamente o olhar para o despertador que estava na mesinha de cabeceira por trás dele, e lá com uns números grandes e vermelhos marcava 11:30. “Céus dormi imenso” pensei. Muito delicadamente tirei o braço dele de cima de mim sem o acordar. Despi a sua t-shirt, vesti a minha roupa e pé ante pé saí do quarto tentando fazer o menos barulho possível.
Preparei umas torradas com sumo de laranja natural e uma salada de frutas. Depois do 3 dias naquela casa a tomar conta dele quando esteve doente, já sabia os cantos a casa.
Ouvi o duche enquanto fazia a salada de frutas, supôs que fosse ele. E já tinha tudo pronto na mesa quando ele apareceu na cozinha de calças de ganga escuras que contrastavam com a sua sweatshirt cinza e com as all stars azuis. O meu olhar seguiu aquela visão, cada bocadinho da cabeça aos pés… Como a que podia ser possível eu achá-lo tão sexy numa roupa tão simples? Isto não era normal de mim. Não era! Eu tinha gosto para gajos estranhos.
-Buenos días. – disse-me sorrindo e sentando-se à minha frente na mesa.
-Buenos días… Mira te fis el pequeño al mojo, a pesar de ser más huera de al mojar pero tienes que comer alguna cosa antes de irse à trenar.
Ele sorriu e limitou-se a agradecer.
Comi uma torrada acompanhada de um copito de sumo e comi uma tacinha de frutas. Levantei-me e comecei a arrumar as coisas.
-Mira deja eso, yo mismo lo trato luego. Yo te levo a casa antes de ir al treno.
 
Lá me levou ele a casa depois de tomar o pequeno-almoço, a viagem tinha sido um quanto silenciosa… Mal chegamos a porta do meu apartamento o Aimar soltou um risinho.
-¿Que? – perguntei-lhe.
-Jara ainda esta aí! Mira es su carro adelante.
 
Ri-me também.
-Míster lo va a matar! – disse-me.
Voltei a rir-me. –Yo trato del. - disse-lhe…
Ele deu-me um beijo numa das bochechas e despediu-se de mim.
Entrei no prédio e subi. A primeira coisa que me passou pela mente era que ainda me ia rir com situação que ia encontrar lá em casa, ou não quem sabe. A noite da Sara deve ter sido uma noite e tantas. Mas mesmo assim eu não conseguia deixar de pensar na minha noite.

Entrei, e a sala estava muito silenciosa. Nada de suspeito. Também era obvio que eu não ia espreitar ao quarto. Fui até a cozinha onde me deparei com a Sara embrulhada apenas num lençol e a tentar dividir-se entre não deixar cair o mesmo e preparar o que é que fosse que ela estava a fazer.
Encostei-me a soleira da porta e disse ainda que baixo não fosse o amiguinho dela aparecer…
-Isso a que foi uma noite hun?
Vi-a dar um pequeno pulinho, com o susto e olhar-me com cara de quem me ia matar.
-O que é que estas aqui a fazer? – perguntou-me ela com um olhar mortífero ainda que num tom de voz baixo.
-Oh Sara é quase meio-dia e meia, querias que estivesse a onde e isto é a minha casa… Despacha lá o teu amigo! – Pedinchei.
-Sabes lá se o meu amigo ainda está aí!
-Sei sim o carro dele ainda estava lá em baixo quando subi. – disse-lhe provocando-a.
-Tu sabes lá qual é o carro dele.
-Eu não, mas o Aimar disse-me.
-O Aimar? Mas o que é que o Aimar estava lá em baixo a fazer para ver o carro dele e dizer-te? – perguntou ela idignada.
-Hummm… Longa história, depois conto-te. Agora despacha lá o “Jarra”. – disse-lhe para a provocar.
Ela olhou-me com um olhar que se fossem balas por esta hora já estaria morta.
-Não despacho não, ele está aí tão bem! – ripostou ela virando-se para o que estava a fazer anteriormente.
-Ok tu lá sabes… Eu só sei que ele daqui a meia hora ou está no caixa futebol campus ou vai ouvir um grande raspanete do Jesus…. Vou pró meu quarto. – colmatei.
-Ahhhhh pois é! Ai o JJ mata-o!
E eu só a vi largar tudo e correr para o quarto quase tropeçando no lençol, e lá segui eu pró meu quarto.

Decidi tomar um banho relaxante tinha tempo, hoje estava de folga. Aliás quase todos estavam de folga devido a noite de ontem, menos os jogadores que iam ter jogo amanha.

Por isso planeei o meu dia antecipadamente. E decidi que iria a Aveiro visitar a famelga e contar-lhes como estavam a correr as coisas. Não era pessoa de contar coisas por telefone, por isso vesti-me. Optei por um look, mais “normal” ainda que com um toque meu.

 

 

Vesti um vestido outonal com um padrão floral, calcei uns sapatos rasos, que eram bem mais confortáveis do que os meus típicos sapatões. Deixei o cabelo ao natural, adornei o conjunto com a nova tendência deste outono/inverno ou seja com meias de malha que ficam um pouco acima do joelho e estava pronta.

 Quando saí do quarto tinha a Sara agora vestida e sem ter o lençol a volta dela a ver tv.
-Vais a algum lado? – perguntou-me.
- Sim, vou ao norte hoje, aproveitar a folga para visitar a família.
-Mas vais agora, agora?
-Sim, tipo são 2 horas e eu ainda quero voltar cedo.
-Antes de ires diz-me lá quanto a que gastas-te no hotel que eu pago.
Fitei-a por segundos. Eu não a ia cobrar por algo que eu não tinha pago, mas eu conhecia-a tão bem para saber que se lhe contasse o que se tinha passado na noite anterior ela ia-me apelidar de incondicionalmente apaixonada.

-Deixa lá isso! –disse-lhe.
-Jane Maria! Diz-me. Fui eu que te obriguei a isto, e tudo por uma noite! Diz-me lá quanto foi?
-Não foi nada… Por uma noite? Diz que foi má queres ver? – provoquei-a.
-Não, não foi. Foi óptima! Obrigado amiga. –sorriu.
- A minha também. – confessei.
-Hun? Explica lá isso.
-Nada de mais…. Simplesmente não gastei um cêntimo no hotel, porque simplesmente não passei a noite num hotel.
-Eu vi logo! – olhei-a para tentar perceber o seu ponto de vista. – Não olhes assim para mim. Quando me disseste ah bocado que o Aimar te tinha dito qual era o carro do Franco eu vi logo que não tinhas dormido num hotel, foi mais no “Hotel Aimar”. – disse-me com um sorriso matreiro no rosto.
Limitei-me a permanecer calada, mas o meu sorriso não me deixou mentir.
-Afinal parece que não foi só a minha noite que foi boa. – colmatou.
-Sara não faças filmes eu só dormi lá. – fiz questão de realçar o “só”. – E ele foi um querido por me ter deixado ficar lá. – disse-lhe.
-E também foi um querido por te ter trazido a casa pelos vistos. – disse ela revirando os olhos para me provocar.
-Sara?
-Sim.
-Vou-me, que estou atrasada para a minha viagem de 3 horas. – virei-lhe costas agarrei na mala e na chave do carocha e pisguei-me dali para fora.

 


Obrigado pelos comentários são umas queridas *-*

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sinto-me: :3
música: Pixie Lott - When Love Takes Over Cover - Radio 1 Live Loung
link do postPor pablitoaimar, às 15:03  comentar

De Pipa a 28 de Outubro de 2010 às 18:38
Ai tao lindo!Quando e que estes dois se juntam?
Jane Maria tu ve la se eles se juntam rapido :P
Beijinho

De Bianca a 28 de Outubro de 2010 às 19:15
Pela 7ª sétima volto a dizer : ADOREI !
A parte de eles estarem os dois juntos na mesma cama ... u.u
Continua !
Beijão !

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