29.11.10

28

 

 

Acordarmos cedo, afinal tínhamos uma viagem de 3 horas para fazer e queríamos chegar à hora de almoço. Sentia o descontentamento dele, sabia perfeitamente o quanto ele queria poder jogar em Aveiro, mas não ia ser possível, e alem disso ele não deveria fazer esforços sequer, para poder estar apto para o próximo jogo de sexta-feira.
Chegamos a Aveiro mesmo ao meio dia e seguimos directamente para casa dos meus avós, onde se ia dar o jantar de família. Ia ser uma espécie de surpresa para todos, pois eles não sabiam que eu levava o Pablo comigo. Alias, a ideia da surpresa tinha sido dele, e eu só poderia esperar que corresse bem. Apesar de eu saber que eles não iam aceitar a ideia à primeira.
Ele sorriu para mim, eu retribuí o sorriso e seguimos para a entrada da casa.
Mal abri a porta, foi soltado um amontoado de palavras como “a nossa menina”; “Jane”; “voltaste!”; e assim quando as expressões acabaram e antes que alguém pudesse correr para mim para abraços e afectos, movi-me para o lado deixando o Pablo, exposto aos olhares de todos.
-Oh céus, é o Pablo Aimar… - chutou a minha madrinha, incrédula, que de adepta ferrenha tinha tudo e sabia perfeitamente quem ele era.
-Hola. – ele saudou.
-O Jogador do Benfica? – perguntou o meu avô, e mesmo sem resposta percebeu que era, pelo ar incrédulo de todos.
Eu acho que se no momento pudesse, tinha-me enfiado num buraco… A minha família teve uma típica reacção de “epá olha o papa!” E eu sabia o quanto o Pablo era susceptível e tímido com essas reacções.
Eles cumprimentavam-no finalmente, depois de eu explicar que ele percebia português, e lá me demonstraram os seus afectos do costume.
Ah excepção da minha madrinha que tentava espreitar para lá para fora para ver se vinha mais alguém connosco.
Ri-me. – Que foi? Estas à espera que apareça aí o resto do plantel é? – perguntei brincando com a situação.
-Não… Não… - disse disfarçando. – Mas isso era um motivo de muito orgulho… Mas diz-nos lá o que faz aqui o Pablo Aimar… Quer dizer… tudo bem que trabalhas para o glorioso Jane, mas nunca pensei que conhecesses os Jogadores, minha querida sobrinha.
Olhei-o. Ele estava quieto, e o desconforto misturado com a timidez estavam estampados na sua face.
-O Pablo é meu namorado! – disse directamente. Não ia andar com voltinhas sobre o assunto.
E de novo o olhar perplexo e incrédulo voltou as suas faces. Todos pareceram aceitar bem, ainda que com um certo choque de impacto, mas a minha madrinha sabia o que os outros todos naquela sala não sabiam. Ela sabia que ele era casado, e que tinha filhos e provavelmente estaria a perguntar-se que raio se passava ali.
Olhei-a como que a pedir que se mantivesse calada e assim ela fez… Apesar de tudo sempre tínhamos sido muito amigas e cúmplices, por isso ela confiava em mim.
Tivemos um almoço bastante alegre, apesar das imensas perguntas da minha curiosa família, tais como. “Porque é que ele não ia jogar?” “Como nos conhecemos?” “O que se andava a passar com o Benfica?” Enfim… E o Pablo lá foi perdendo a timidez e explicou algumas coisas, se bem que a maior parte das vezes eu tinha que o traduzir porque apenas eu e a minha madrinha percebíamos espanhol.
Depois do almoço, os homens decidiram ir até ao café que ficava do outro lado da rua, e o Pablo decidiu ir com eles. Afinal convívio não fazia mal a ninguém. E por mim ele fazia parte da família.
Mal eles saíram começou a chuva de perguntas.
-Jane, explica-me o que me está a escapar se faz favor! – exigiu a minha madrinha.
-Não há nada para explicar…
-Não? Como não? Vá lá eu sei perfeitamente que o Pablo alem de ter mais uma década que tu em cima, é casado e tem filhos… Como é que ele pode ser teu namorado?
E mal estas palavras saíram da sua boca, a minha mãe e avó olharam directamente para mim, como que à espera de uma boa resposta.
-A idade nunca foi um problema nesta casa, porque é que tem de ser agora? Eu tenho 20 anos, sou maior e vacinada e ele tem 31, já não é uma criança! – disse directamente sem olhar nos olhos de nenhuma delas. Eu já esperava por este momento desde que tinha deixado Lisboa. E sinceramente acho que ninguém tinha que se meter na minha vida e nas minhas decisões, só tinham que aceitar.
-Isso não está em causa! – disparou a minha mãe. E quase obrigando-me a olhar para ela, levantou a voz para dizer – Casado? Filhos? Estavas com a cabeça a onde?
-Qual é o vosso problema? – estava a ficar farta daquela situação. – Sempre me apoiaram em tudo, apoiem agora. Aceitem-no! Sim ele tem filhos, 3 maravilhosas crianças, que o amam e que me adoram. E não ele já não é casado. É divorciado, e antes que se ponham aí com suposições e mexericos, que fique bem esclarecido que não fui eu que destrui o casamento dele. Quando o conheci já estava destruído à muito tempo. Qual é o problema? Nos amamo-nos! Apenas isso importa!
As três olharam para mim, mais serenas mas ainda com a desaprovação estampada nos rostos, e nesse mesmo momento os homens voltaram, e acho que o ambiente pesado se fez sentir.
E como se fosse a coisa mais normal do mundo, ele sentou-se ao meu lado, envolveu os seus braços a volta da minha cintura, puxou-me para o seu colo, deu-me um leve beijo na bochecha e pronunciou num tom normal e em que todos ouviram um –Te amo. – que fez um sorriso aparecer no rosto do meu pai e avô e um vestígio de possível aprovação no rosto da minha madrinha, mãe e avó.
Respirei fundo. –Eu e o Pablo temos que ir!
-Tão cedo filha? Eu sei que a viagem é longa, mas pensei que fossem só logo. – disse o meu pai já preparando-se para se despedir do Pablo.
-Sim. Nós vamos ver o jogo ao estádio. Depois voltamos para Lisboa.
-Cuidado com a condução, filha. – avisou.
-Eu sei pai!
E dito isto despedi-me deles sem muitas lamechices, ainda que me custasse, admitir que ia sair dali para os ver sabesse lá quando, com um ar pesado.
Ambos saímos, entramos no carro, respirei fundo e segui viagem. Os primeiros 5 minutos foram invadidos pelo silêncio. Mas eu sabia que o silêncio não ia durar.
-¿Que paso, antes de llegarnos del café? – perguntou-me quebrando o silencio e desviando o olhar da paisagem para mim,
Desviei o olhar da estrada por segundos para o encarar, mas tão rapidamente como o fiz, voltei a encarar a estrada.
-Nadie, solo que las mujeres de mi familia… A ellas le gusta meterse en la vida del los otros e a mi no me gusta eso. – disse-lhe serenamente.
-La culpa eres mía, yo lo sé. – disse-me directamente.
Eu estava a odiar ter esta conversa ao volante. Mas ele tinha começado e eu queria que acabasse ali.
-No… no eres. Mi familia es que no les gusta la idea de yo amar un hombre divorciado e con hijos, pero yo no quiero saber, elles van acabar por lo aceitar, lo que realmente importa eres que yo te amo, e no preciso que ninguén lo aceite, solamente tú. - desabafei ainda que faltasse a coragem para o enfrentar depois do que tinha dito.
Senti a sua mão sobre a minha perna, o que me fez estremecer. –Yo lo entendo… Solamente no quiero que te quedes triste con tu familia por mi culpa. – disse acariciando-me a perna.
-No te preocupes Pablo… Elles van a ceder, y yo… yo te amo justamente de lo jeto que tu eres. – disse-lhe soltando um sorriso ao qual ele retribuiu.
E assim seguimos serenamente para a cidade de Aveiro, ainda tínhamos tempo para visitar a cidade antes do jogo.
(…)
O jogo tinha corrido bem, tínhamos ganho 3-1 o que nos garantia o 2º lugar, isolado, na liga. O Saviola tinha voltado aos golos assim como o Cardozo e por momentos pensei que estava de regresso à época passada e tive a sensação de que estava tudo bem. Apertei com força a mão do Aimar, em muitos momentos do jogo. Eu sabia que ele queria estar a fazer parte daquilo, mas que não podia.
Mas o que importava no final, era a vitoria, era termos mostrado que estávamos a lutar por estar li, e que íamos lutar até ao fim. E até o ambiente entre jogadores e treinador pareciam óptimos. Foi reconfortante ver dez jogadores irem festejar os golos todos juntos, só faltava o Roberto, que limitava-se a festejar sozinho, a agradecer a deus e a guardar a sua baliza com unhas e dentes.
Depois de uma vitória que nos deu alento, fizemos a viajem de regresso a Lisboa, mas não, sem antes passarmos pelas instalações do estádio para felicitar os jogadores.
Pela primeira vez esta época senti que as coisas se estavam a recompor, só esperava que se mantivessem no topo e não começassem a desmoronar outra vez.

 


Mais uma vez obrigado a todas as pessoas que me apoiam e que gostam da minha fic. Obrigado, do fundo do coração.

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sinto-me: :3
música: sixpence none the richer - kiss me
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28.11.10

27

 

 

Acordei apenas em lingerie com o se corpo quente envolvendo o meu. Olhei para o relógio, dentro de 3 horas estaríamos a sair de Londres. Sentia a sua respiração pesada no meu pescoço, sabia que ele estava a dormir profundamente e não queria nada ter que o acordar.
Tentei virar-me na cama sem acordá-lo. E quando consegui, observei-o a dormir pacificamente, como um anjo adormecido. Os meus dedos tocaram levemente os seus lábios. E muito suavemente para que ele não acordasse, os meus dedos seguiram os traços do seu rosto, passado dos seus lábios para a sua testa, delineando o perfil do seu queixo, e escorregando pelo seu pescoço. Quando os meus dedos voltaram aos seus lábios para sentir cada traço dos mesmos, senti o braço que envolvia a minha cintura mexer. Os seus olhos abriram lentamente, e em segundos estavam bem abertos e olhavam para mim. Os meus olhos estavam cravados nos seus lábios, queria beijá-los, queria que os nossos lábios escorregassem uns por entre os outros, queria que as nossas línguas dançassem juntas.
-Dime que todavía eres cedió e que yo puedo matar ese tu deseo. 
Ri-me e sentí as minhas bochechas virarem vermelhas. –¿Que deseo?
-No lo se pero como estabas mirando mis labios, yo pensé que los quisieses besar! – disse-me, passando levemente a língua sobre os lábios para de alguma forma me provocar.
Olhei-o nos olhos, ele tinha razão e num movimento rápido uni os meus lábios aos dele, beijando-os intensamente e iniciando uma dança que ambos conhecíamos meticulosamente, com as nossas línguas.
Ele sorriu, quando quebrei o beijo, e puxou o meu corpo para o dele.
-Tenemos que ir. – disse-lhe roubando-lhe mais um pequeno beijo.

Levantei-me da cama, e fui tirar um roupa da mala para vestir. Dirigi-me a casa-de-banho, lavei os dentes, voltei para o quarto, borrifei uma pequena porção de channel nº5 no pescoço e nos pulsos, passei um creme de limpeza no rosto. Fitei-o pelo espelho, e ele permanecia deitado na cama, observando detalhadamente o que eu fazia. O que me inquietava e me fez soltar um sorriso discreto, mas continuei, sem me pronunciar. Tinha visto na tv que apareceu subitamente uma vaga de calor em pleno Outono em Portugal por isso decidi por uma roupa mais fresquinha. Vesti uns calções de ganga de cinta subida, com um top preto semi rendado e para completar o look vesti um casaco de maga curta que tinha comprado na internet da argentina. E eu era completamente apaixonada pelo casaco pois tinha pormenores que o faziam parecer com os xailes usados também nos vestidos do tango ou em charpes. Para terminar optei por uma maquilhagem simples, ainda que com um batom vermelho mais ousado. Quando terminei, virei-me para ele e sorri.

  

 

-¿Vas quedarte ai viéndome, o vas levantarte? – perguntei.
-Yo podría quedarme viéndote para siempre cariño, eres tan guapa, tan linda, que ojos no se cansan.
Rastejei pela cama, e beijei-lhe docemente os labios. –Te amo! – disse-lhe. –Pero ahora levántate cariño!
Ele lá se levantou a muito custo, vestiu-se arranjamos as ultimas coisas, toma-mos o pequeno- almoço no hotel e seguimos para o aeroporto. E quando nos dirigia-mos para o check in passamos num quiosque, no qual uma capa de uma revista me chamou à atenção…
-Pablo, mira… - disse-lhe apontando para a revista.
Eramos nos na capa, de uma revista de moda Londrina, e tinha como titulo. “Famous player from Benfica, with lover in London Fashion Week” Pois estava visto que eles achavam que eu era amante dele ou something… Ele era tão discreto que os media nem sabiam que ele se tinha separado da mulher, mas agora passar por amante quando era a namorada, deixou-me um pouco constrangida.
-No te preocupes con ese lixo. Solo inventan cosas falsas sobre las personas. Lo que importa es lo que siento por ti e tu por mí.
E dizendo isto pôs o seu braço à volta dos meus ombros e eu esqueci-me do sucedido.
(…)
Tinham-se passadas duas semanas. E os problemas começavam a piorar no clube. O Benfica já tinha jogado com a naval e tinha ganho, mas infelizmente tinha sido arrumado da champions, na passada 4ª feira. O Aimar andava de rastos, eu sabia por ele que o ambiente entre eles não era o óptimo. E eu sabia o quanto ele se estava a esforçar esta época para se superar a si próprio sem ter lesões, sendo mais consistente em jogos de 90 minutos seguidos, e dando o seu melhor. Mas ele sozinho não podia fazer tudo! E mesmo assim, era considerado o melhor jogador em campo nos últimos jogos, mas isso não lhe importava nada. O que lhe importavam eram os resultados dos jogos negativos, o ambiente entre o treinador e presidente, os colegas que desistiam de lutar pelo clube a olhos vistos. Era como se ele estivesse sozinho nesta luta e por mais que tentasse não conseguisse atingir o objectivo. E ultimamente eu dizia-lhe muitas vezes que ele era pequenino demais para levar a equipa toda as costas, mas que tinha um coração enorme que se deixava afectar, mas que o que importava era que eu estava orgulhosa dele e da sua prestação.
Eu tinha recebido uns quantos telefonemas de designers de Londres, que queriam associar-se e ajudar-me a produzir a minha primeira colecção própria, mas eu ainda não tinha decidido nada.
Mas no meio disto tudo surgiu uma esperança, que eu sabia que traria alegria ao Pablo. O seleccionador Argentino, passava cá em Janeiro para falar com possíveis jogadores para posteriormente serem chamados a selecção das pampas, e na lista dos jogadores escolhidos, estavam, o Gaitan, o Salvio e o Pablo. Eu tinha um feeling que ele ia ser chamado, e se não fosse quem ficava a perder era a selecção Argentina, pois ele estava em óptima forma, e podia ser a sua última oportunidade de jogar na selecção.
Este domingo o Benfica jogava com o Beira-Mar, em Aveiro, o que era óptimo pois poderia ir ver o jogo e ao mesmo tempo voltava à cidade Natal, e poderia visitar a família. Só não sabia ainda, como lhes ia explicar que namorava com um jogador do Benfica. Não é que isso fosse o problema, até porque a minha família é toda Benfiquista logo, iam aceitar bem, mas por outro lado são um pouco demasiado conservadores, por isso sei que não vai ser fácil aceitar a ideia de eu namorar com um homem divorciado, pai de 3 filhos.
(…)
O inexperado tinha acontecido... O Aimar tinha uma mialgia de esforço na face posterior da coxa direita e não poderia jogar em Aveiro contra o Beira- Mar... Mas iriamos na mesma ver o jogo juntos. Estava em casa dele, com o jantar pronto à espera que ele chegasse. Hoje íamos jantar entre amigos. Tínhamos convidado o Saviola e a Romanella para jantarem connosco e eu fiz um maravilhoso assado, que eu sabia que o Pablo adorava, para o Jantar.
Eles chegaram. Vinham esfomeados e sentaram-se logo a mesa para jantar, depois dos cumprimentos todos.
-Que Bueno! – disseram a Romanella e o Saviola ao mesmo tempo.
Eu agradeci e o Aimar sorriu-me.
-Mañana partimos a las 8.  – disse o Saviola.
-¿Tan cedió? – perguntou a Romanella.
-Sí!
-Yo voy ver el partido. – disse o Aimar ao Saviola.
-Pero pensé que te quedasses por Lisboa. – respondeu-lhe o amigo.
-No, que voy conocer la familia de Jane y después voy a ver el partido.
-Que bueno entonces...Eres verdad… - disse o Saviola interrompendo o silencio. – Hoy el enemigo va a jugar.
Ri-me. – Era tan bueno se porto perdiese.
-Sí… Era muy bueno para nosotros! – completou o Aimar.
-Savi… hablando en el enemigo…. Lo sabes que Pinto da Costa veo decir que gustaba mucho de te tener en el club… -ri-me. –Lo hombre eres mismo estúpido, lo odio.
-Sí… yo sé…
-Entonces, no pienses dúas veces siquier! – avisei-o seriamente ainda que com um mar brincalhão…. Eu sabia que ele a sair iria para a sua terra. 
-No… no lo podría… No puedo ser enemigo de Pablito. Nunca na vida. Siempre yuntos!
Todos ri-mos e vimos os olhares transparentes de amizade verdadeira e pura dos dois.

 


Oi meninas, obrigado pelos comentários... São muito importantes para mim, tal como o facto de voces gostarem da fic.

Espero que gostem... Eu prometo que quando tiver mais tempo, vos compenso pelos dias que não postei :)

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sinto-me: :3
música: buckethead - we are one.
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