8.12.10

(…)
-Oi amora.
-Olá Jane… Quando voltas a viver nesta casa? – perguntou-me sem tirar os olhos da revista.
-Eu já vivo aqui Sara.
-Sim, mas ultimamente mais parece que vives em casa do Aimar. Odeio estar aqui sozinha.
-Desculpa… - baixei o olhar… Ela tinha razão já não ia a casa à quase 4 dias.
-Não… - olhou-me nos olhos. –Desculpa eu… Ele é teu namorado é normal que queiram passar todo o tempo possível juntos… Eu percebo, eu também era assim com o Franco. – vi os olhos dela encherem-se de água preparada para escorrer pelo seu rosto a qualquer momento. – Mas estava habituada a ter-te aqui.
Hesitei, mas rapidamente me aproximei dela e agarrei o seu rosto nas minhas mãos. –Como assim era? Já não é? O que se passou com o Jara.
Logo ali percebi que o “não estar em casa” era um pretexto para o que se tinha passado e que a fazia sentir-se mais solitária e sem ninguém para desabafar.
-Passou-se que não há mais um nós… Apenas eu… Ele e a ex. – e vi as lágrimas descerem pelo seu rosto
-Ele e quem? – perguntei incrédula… -Como assim? Explica-me Sara. -disse-lhe limpando-lhe as lágrimas que caiam. 
-A ex dele veio para cá. Ela é modelo, mas vivia na argentina. E eles bem… tinham acabado porque ele tinha de vir para cá e ela não acreditava em namoros à distância. Mas ela veio para cá. Vai ficar cá a trabalhar para a nova campanha da dolce & gabana….
-Ok Sara, mas o facto de ela vir não quer dizer que eles vão voltar. Eu acho que ele gosta mesmo de ti, ou pelo menos parecia e fazia por isso.
-Se ele gostasse mesmo de mim, eu não tinha ido a casa dele ontem e tinha-os apanhados aos beijos não achas?
Eu estava em choque. Não acreditava que o Jara fosse capaz de fazer aquilo. Ele parecia tão bom rapaz.
-Mas falas-te com ele Sara… Ela pode tê-lo beijado… Sabes como algumas gajas conseguem ser mesmo cabras.
-Isso foi o que me veio à cabeça, mas depois de ele vir pedir imensas desculpas, dizer que não dava mais porque estava apaixonado por ela e que agora o namoro deles eram possível esquece, tirei essa ideia maluca da cabeça.
-Wow! Não esperava isso dele. – disse abraçando-a.
-Nem eu. Mas pelos vistos temos que estar sempre alerta. Os homens são todos iguais! Todos!- desabafou.
-Nem todos Sara… Ok quase todos salva raras excepções
-Excepções? Eu nem nisso acredito! Dá-me um exemplo de um homem decente.
-O Pablo… - disse-lhe directamente.
-O Pablo teve o azar de ter a mulher que deixou de o amar e arranjou outro, e assim ele aprendeu o que nós gajas sofremos com cenas do género e agora que te encontrou não ia ser burro ao ponto de cometer um erro desses. Ele é inteligente.
-Não é bem assim Sara… Dizes isso porque estas fula com o Jara, porque no fundo sabes que não é verdade.
-Bem mas vamos esquecer isto! Vou seguir enfrente. Não vou ficar a chorar por um gajo que me trocou por uma ex…. E tu? Conta-me como vai a vida.
-Vai indo. Ainda não aceitei nenhuma das propostas…
-Então porque? São todas excelentes Jane.
-Sim, e eu sei que no fim vou optar pela Espanha, mas tenho que falar sobre isso primeiro com o Pablo…
-E comigo não? É que se fores para a Espanha o Aimar fica sem ti, mas eu também fico!
-Sim Sara eu sei, mas são só 4 meses. –olhei-a e ela estava com cara de frete. –Ok. Ok… Eu sei que 4 meses parece muito tempo e é, mas passa rápido. É obvio que eu vou morrer de saudades vossas, mas também faço questão de vos vir visitar aos fins-de-semana. Achas que eu não vinha?
-Se não viesses eu não te perdoava. – disse fazendo que estava chateada, mas rapidamente sorriu e envolveu-me num abraço amoroso.
Tomei um duche rápido e optei pela primeira coisa que tirei do guarda-fatos. Um vestido em malha bege, muito "grunge” com rasgos ao longo do vestido.
Adornei o conjunto com um cinto que me marcava a linha da cintura e com um chapéu preto. Eu não era pessoa de andar muito de chapéus, mas já não andava á imenso tempo e deu-me uma vontade enorme de o voltar a usar assim que o vi.

 

 

Prometi a Sara que esta noite teríamos um jantar caseirinho apenas para as duas. Para matar saudades, para por as coscuvilhices em dia, e para confraternizar como melhores amigas que éramos.
Segui para o Estádio da luz. Hoje tinha folga, pois tinha ficado a trabalhar no fim-de-semana passado. Fui esperar o Pablo que estava em reunião com o resto do plantel e treinador incluído e não demorou muito até que o avistasse a sair do Estádio.
-Vámonos a un cafecito? –perguntei-lhe dando-lhe um pequeno beijo nos lábios.
-Claro… Doende?
-Colombo?
-Sí.
E seguimos. Já no Colombo pedimos dois cafés e dirigimo-nos a um lugar mais discreto e mais ao fundo para não sermos interrompidos, se bem que em pleno meio da tarde num dia da semana o Colombo estivesse claramente mais vazio.
-Entonces cariño… ¿Ya te decidiste que hacer con tu futuro?
-No… pero quería hablar contigo sobre eso…
-Claro… - disse sorrindo.
-Yo estaba pensando en España.
-¿A sí? ¿Pero cuanto tiempo tenerías que quedarte adelante?
-4 meses. – disse ainda que a medo de qual seria a sua reacção.
Vi-o dar um gole na chávena de café e por os olhos na mesa. –Yo se que eres mucho tiempo pero yo vengo passar el fin de semana com vosotros siempre.
-Sí yo se que vienes. Pero voy sentir tu falta. No te tener aquí a mi lado. No poder besarte. No sentir tu cuerpo yunto de mío.
-Pero yo inda no hay dijo que sí, por eso se no quisieres yo no voy. Me quedo aquí. Yo también tengo propuestas aquí.
-No… Yo quiero que sigas tu soñó. E nosotros somos fuertes e vamos pasar por cima disto. Va ser difícil pero nosotros vamos conseguir. Nuestro amor eres fuerte cariño. – disse acariciando-me a mão com a dele.

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música: marron 5 - won't go home without you.
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6.12.10

Olá seguidoras da fic. Queria desde já explicar o motivo pelo qual estive sem postar tanto tempo. Pois bem, primeiro andei super atarefada na semana passada pois tive que tratar de um monte de papelada pelo simples facto de eu ter de ir para o porto. E segundo porque morreu um familiar meu e como passei praticamente todo o meu tempo livre incluindo o fim-de-semana fora da minha cidade, não tive tempo para postar nem sequer escrever uma linha que fosse. Por isso peço imensas desculpas e espero que compreendam. Hoje venho deixar-vos o capitulo 29 e um pouco do 30, visto que foi tudo o que eu consegui escrever esta manha para vocês. Espero que gostem e mais uma vez obrigado por todos os comentários.


 

29

 

 

Acordei com uma sensação de dores por todo o corpo, sabem quando acordamos de manha e parece que andamos a trabalhar a noite toda? Eu sentia-me assim mas 10 vezes pior. Tentei abrir os olhos, mas uma forte dor invadiu a minha cabeça. Tentei mexer-me mas a dor aumentava, por isso decidi manter-me quieta e tentar abrir os olhos. Depois de algum esforço consegui sentir a ligeira dor da minha pupila contrair por causa da luz forte que irradiava no quarto. A minha visão estava desfocada, mas com o tempo começou a melhorar, e foi aí que me apercebi de que algo não estava bem. Estava numa cama que não era a minha, tinha duas máquinas do meu lado esquerdo que emitiam um pipipi irritante, e do meu lado direito tinha soro ligado por uma agulha ao meu braço. O que é que me tinha escapado? E que raio fazia eu ali? Olhei para o fundo da pequena sala e vi o Rúben sentado num dos pequenos sofás, adormecido. Voltei a fechar os olhos… Não me lembrava do porquê? O que estava eu ali a fazer?
Minutos depois, uma enfermeira entrou no quarto o que fez o Rúben despertar.
-Ahh a menina já acordou! Óptimo! – tentei falar mas nada me saiu. –Vou só aqui dar-lhe uma injecção para não ter dores. – E dizendo isto sorriu e voltou a sair instantes depois.
Eu só queria saber o que se passava. – Ainda bem que acordas-te! Se não acordasses eu nunca me perdoaria. – disse-me chegando perto da minha cama, e eu ia jurar que pude ver uma lágrima escorrer pela sua face.
-Rúben… - consegui dizer ainda que quase em sussurro. – O que é que… se passou? – perguntei a muito custo.
-Não te lembras? – perguntou um pouco incrédulo, eu limitei-me a acenar que não com a cabeça.
-Tu vinhas para Lisboa, para fazer o design dos nossos fatos e… Tiveste um acidente muito grave… Estavas em coma à 4 meses. E a culpa é toda minha, se eu não te tivesse convencido a vir… - agora tinha a certeza que tinha visto uma lágrima correr-lhe no rosto. Mas o meu cérebro não estava a assimilar bem as coisas. Como poderia ser? Eu nunca tinha chegado a Lisboa? Não, não podia ser verdade. Como? Se eu não me lembrava de nada. Alias, as únicas recordações que eu tinha eram com o Pablo. O Pablo… Se eu nunca tivesse chegado a Lisboa… Isso queria dizer que isto era um sonho? Que eu nunca tinha estado com ele… Não! Não podia ser, os nossos sentimentos são reais, eu amo-o e ele ama-me. Não! Acidente? Como se eu não me recordava de nada.
-Acidente? – perguntei forçando a voz a sair mais alto.
-Sim querida. Ficas-te muito mal.. Tive medo do pior.
-O Pablo? – perguntei desesperada
-Pablo? Pablo Aimar? – perguntou-me com uma expressão de quem achou a minha pergunta fora de contexto.
Eu acenei que sim com a cabeça e ouvi a última coisa que eu queria ouvir. –Mas tu conheces o Pablo Aimar? Eu acho que vocês nunca se conheceram das vezes em que fomos ao norte. O teu cérebro ainda não deve estar a assimilar bem as coisas.
Paralisei, o meu corpo tentou mover-se mas as dores voltaram, eram como agulhas que perfuravam os meus ossos e as lágrimas começaram a descer o meu rosto. Olhei-o nos olhos, eu não consegui acreditar no que estava ouvir. A única coisa da qual eu tinha certeza neste momento era que o amava e que tudo o que eu e ele tínhamos vivido juntos era verdadeiro. Todas as palavras, todos os beijos… Acenei freneticamente que não com a cabeça enquanto varias lágrimas delineavam traços no meu rosto.
-Calma querida, estiveste muito tempo em coma… Isto vai passar. – disse tentando limpar-me as lágrimas.
-NÃO! – gritei do fundo do meus pulmões e reunindo todas as forças que tinha, arranquei o soro do meu braço e levantei-me daquela cama.
-O que é que estas a fazer? – perguntou. –Pára! – gritou assim que me viu levantar. E assim que pus os dois pés no chão, uma dor imensa invadiu a minha perna esquerda e eu caí redonda no chão.
-Pára Jane, tens uma perna partida. Tem calma eu estou aqui!
Afastei-o de mim violentamente. –Tu não entendes! Eu amo-o. Isto não é verdade. Eu não me lembro de porra de acidente nenhum. Eu amo-o e quero aqui!
Ele olhou-me desesperado e disse calmamente -Calma, Jane… Não estou a perceber… de quem estas a falar?
-Do Pablo! Eu amo-o! – E assim que disse isto mais uma data de lágrimas escorreram pelo meu rosto.
-Jane… - vi-o coçar a cabeça com uma mão num jeito de não saber o que dizer. – O médico disse que o acidente poderia mexer com a tua memória, mas não me disse que também te poderia dar alucinações…. Ouve, o Pablo é casado. Pensei que soubesses isso… Volta para a cama, descansa.
Olhei-o incrédula… Eu tinha que estar a delirar...só podia. Isto não podia passar de um sonho… O que ambos tínhamos vivido era demasiado real. Não podia ser… Ele não era casado não! Ele estava comigo! Sem conseguir pronunciar uma palavra, desatei num choro descontrolado e numa mistura de soluções com suspiros desesperados.
-Enfermeira! – gritou o Rúben. E rapidamente vi duas senhoras vestidas numa bata branca entrarem na pequena sala.
-Ajudem-me a colocá-la de novo na cama. Penso que teve uma crise.
-NÃO! – gritei desesperadamente e freneticamente acenei que não com a cabeça enquanto lágrimas incessáveis corriam pelo meu rosto.
(…)
Senti um abanão no corpo, e com uma golfada de ar abri os olhos, e vislumbrei o seu rosto divino.
-Pablo… - Abracei-o com todas as forças que tinha, senti o seu cheiro, olhei em redor… Estava de volta ao quarto. Tinha o rosto repleto de lágrimas, e enquanto o agarrava fortemente, implorei-lhe enumeras vezes que não me largasse.
-Cariño… estabas soñando. – disse-me ao ouvido, afagando-me os cabelos.
 Beijei-lhe suavemente os lábios… queria senti-lo. Ter a certeza que aquilo era a realidade. Que ele estava ali e que não era apenas a minha imaginação.
Cuidadosamente ele limpou os vestígios das lágrimas que ainda estavam no meu rosto e beijou-me a testa.
-Yo estoy aquí pequeña. Esta todo bien! – disse-me envolvendo ternamente os seus lábios nos meus, de novo.

 

30


Passaram alguns dias depois daquele pesadelo horrível. Mas mesmo assim sentia-me estranha, pensava constantemente na possibilidade estúpida de que talvez aquilo fosse a realidade e eu estivesse acordada para um sonho. Mas tinha que esquecer isso. O Benfica tinha ganho mais um jogo na liga e o cerco ao f.c.p começava a apertar, já para não falar no facto de que estávamos isoladíssimos no 2º lugar. Tinha recebido óptimas propostas de apoio para a minha própria colecção e estava a pontos de aceitar. O meu contracto com o Sport Lisboa e Benfica estava a chegar ao fim. Só trabalharia para eles até à segunda semana de Dezembro. Ia ter imensas saudades, mas tinha que continuar com a minha vida. Só não sabia como me decidir… Até porque as melhores ofertas vinham da Inglaterra mas com a condição de eu me mudar para lá para elaborar a colecção. Mas eu não queria estar 3 a 4 meses longe de quem eu mais amo. Também tinha propostas vindas de Espanha, inclusive a da Zara que consistia em fazer a minha própria colecção para colocar à venda nas lojas da marca. E Espanha ficava mais à mão de semear. Em Portugal apenas tive o amável convite de trabalhar num projecto a par dos meus queridos amigos Storytaylors ou com a Fátima Lopes. Mas eu estava mais virada para a ideia de fazer a minha própria colecção. Não é que não me sentisse grata e feliz por estes designers quererem trabalhar comigo, não… Nada disso. Mas sabia que estava pronta e que conseguia fazer a minha primeira colecção sob o meu nome e apresentá-la ao mundo. Também sabia que era um grande passo a dar em termos de carreira. Mas estava disposta a isso. Ou me saía bem agora e ganhava alicerces para futuras colecções ou me estendia ao comprido e via a minha futura carreira arruinada, mas eu era pessoa de correr riscos.

 


 

 

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